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Geração Digital

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Um dia desses, desci até o parque do prédio com a Maria Eduarda e fiquei reparando nas crianças e adolescentes que estavam por lá, ou que simplesmente passavam, e vi que a maioria tinha algum aparelho eletrônico por perto. Lembrei de quando tinha uns 10 anos, acho eu, adorava jogar queimada e pular elástico, também brincava de loja e escola, brincadeiras que atualmente é difícil de ver.

Essa nova geração já nasceu plugada. Mas cabe a nós pais gerenciar e acompanhar, porque tudo que é demais atrapalha o desenvolvimento de uma criança. Na medida em que elas ficam voltadas para a tecnologia, elas deixam de exercitar uma coisa importante: aprender a lidar com a frustração no futuro, já que elas deixam de se relacionar e lidar com as pessoas. São coisas que você vai aprendendo e vai desenvolvendo o que os psicólogos chamam popularmente de inteligência emocional. Um indivíduo, uma criança, um jovem se torna dependente exatamente no momento em que ele começa a negligenciar atividades do seu cotidiano para preferir estar conectado ou interagindo com a tecnologia. É preciso saber dosar.

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A Maria Eduarda está com 4 anos e tem acesso a tecnologia, ela tem os aplicativos dela instalados no meu celular e iPad, e tem o seu tablet  (um modelo da Gradiente especifico para criança), mas o uso sempre é negociado, nem sempre consigo fazer as regras valerem sem travar uma batalha, tem dias que se eu deixar ela passa jogando e vendo vídeos no YouTube. Nunca pensei em proibir o uso dessas tecnologias pela Maria, esse é nosso momento atual,  a escola dela  usa tabletes em algumas atividades, eu e meu marido usamos em casa. O ponto principal é o equilíbrio e bom senso. Confesso que vejo alguns pais fazendo o uso exagerado, na minha opinião, e perdendo momentos importantes ao lado de seus filhos. Uma cena comum é ver os pais almoçando ou jantando em algum restaurante e a criança com o tablet ou notebook aberto sobre a mesa vendo algum filme ou jogando em algum aplicativo, esses pais terão uma refeição tranquila? Sim, mas a que preço?! Claro que já tive vontade de dar o celular para a Maria varias vezes e ver a paz reinar, mas quando estamos a mesa eu procuro conversar, brincar de palitos, guerra de dedo, qualquer coisa que faça ela interagir. Um dia ela estava comigo em um compromisso de trabalho e estava inquieta, fora do seu ambiente e pediu o celular para ver vídeo. Eu dei. Temos que saber ponderar e usar a tecnologia a nosso favor! O norte-americano Jim Taylor, PhD em psicologia, é um crítico ferrenho da influência tecnológica no mundo infantil. Ele analisou a relação criança x tecnologia e lista os prejuízos causados pelo excesso de tecnologia nos primeiros anos de vida do pequeno. Uma das constatações do médico: a geração atual de criança está menos altruísta. Ou seja: menos preocupada em ajudar ou oferecer coisas boas ao próximo.

 

Não existe um consenso geral na área da saúde que oriente a partir de quando a criança pode ser exposta, mas segundo a Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria a exposição deve ser em média:

 

0 a  2 anos – nenhuma exposição a tecnologia.

3 a 5 anos – acesso restrito a 1 hora por dia.

6 a 18 anos – acesso restrito a 2 horas por dia.

 

*Atualmente essa média ultrapassa de 3 a 5 vezes.

 

 

Impossível, e desnecessário, blindar as crianças contra a tecnologia. Temos que nos valer dos pontos positivos e usar sempre o bom senso adaptado a necessidade de cada família. E por que não, em um domingo qualquer, deixar o celular em casa e curtir com sua família um piquenique no parque com amarelinha, corda, elástico, pique bandeira…

 

Cada mãe tem seu jeito e suas regras para encarar a tecnologia, dá só uma olhada nas confissões:

 

Isis Vebber – Blog Isis Vebber – www.isisvebber.blogspot.com.br

Esse assunto é super pertinente e muito polêmico.
Para mim tudo em excesso não faz bem, e ver um filho dependente de algum aparelho tecnológico e perdendo completamente a infância deve ser muito triste. Prezo pela socialização e desejo um ambiente familiar saudável.
Acredito que principalmente na infância o que desenvolve realmente é o convívio social, as brincadeiras. Apesar desses aplicativos terem jogos que estimulam raciocínio e lógica, devem ser utilizados com moderação por todos, inclusive por crianças.
Aqui em casa além da televisão, os meninos têm acesso a celular e tablete. Mas acabei desinstalando os aplicativos infantis do meu celular, pois o meu filho mais novo acordava e falava: “mãe me dá o celular”, pode isso? Não né, a partir desse momento eu simplesmente cortei o celular. O Gabriel já sabe até baixar jogos, então o jeito foi restringir o uso dos aparelhos. Dessa forma o uso do tablet é feito de modo limitado.

 

Beatriz Borges Instablogger @eubemqueteavisei

Melissa ama um gadget desde sempre, e eu nunca a privei do contato com o universo tecnológico. Mesmo do simples aparelho de TV. Ela sempre teve contato. E desde muito cedo. Eu não usava os aparelhos como babá, mas como forma de entretenimento. Colocava nos umizoomi, galinha pitadinha da vida para apresentar a ela o universo da música, cores, formas. Nunca os enxerguei com olhar de maléficio. Mas compreendo que existe uma parcela significativa de pais que exageram no uso destes para acalmar os filhos tanto quanto uma chupeta. Ininterruptamente. Eu deixo fazer o uso dos mesmos com moderação. O que é muito tranquilo, pois Melissa não pede, ela eventualmente, lembra-se do app do meu celular e aí quer, mas tem dias que ela mesma cansa e deixa de lado. Já teve momentos, quando menor que ela se viciou em vídeos em inglês no YouTube, e queria toda hora. Aqui coube o diálogo e o fazer entender que não é sinônimo de brinquedo. É auxiliar em momentos cruciais, uma ida ao médico, uma viagem longa… Por isso hoje ela tem a atitude desprendida de não usar o tempo inteiro.
E fora que ela aprendeu muito com alguns deles, que auxiliaram-na em momentos de aprendizagem.
Por isso a escolha do que oferecer, a qualidade desta informação que será veiculada com o aparelho é muito importante. O papel de supervisão aqui é essencial para evitar exageros e falta de controle.

 

 Camila – Blog Báu de Menino – www.baudemenino.com.br

Devo confessar, meus filhos são super antenados a tecnologia. Meu marido trabalha com Tecnologia da Informação e sempre compra novidades tecnológicas, e os meninos estão indo pelo mesmo caminho. Gabriel tem seu notebook e celular e Daniel tem o seu tablet. Acho que como tudo na vida, o problema é o excesso. Não adianta deixar a criança alienada, sem contato algum, ela vai se frustrar vendo os colegas, mas isso não significa fazer todos os gostos delas. Aqui, se deixar, ficam horas e horas, tento controlar e ter regras. Criança é criança, tem que brincar, correr, tomar Sol, suar, cair, pular… mas também vejo vantagens (desde que com moderação) na tecnologia. Daniel aprendeu muitas palavras em inglês com joguinhos, além de trabalhar mais a concentração dele, que é muito agitado… Além do que, os aparelhos já me salvaram de algumas situações complicadas, como filas enquanto a criança estava inquieta.

 

Fernanda – Blog Mamãe de Duas www.mamaededuas.com

A tecnologia é uma mão na roda, um smartphone na hora de uma viagem distrai as crianças, sinceramente gosto muito, mais tudo tem que ser usado com moderação, no dia a dia eu controlo o uso dessas tecnologias intercalando com brincadeiras saudáveis como andar de bicicleta, pinturas e leitura, por que se eu não o fizer minha filha mais velha fica o dia inteiro no celular e por assim vai a mais nova, e você tocou num ponto muito importante que não tinha me atentado o relacionamento pessoal com as pessoas vai diminuindo.

 

Christiane – Blog Prosa de Mãe – www.prosademae.blog.br

O que mais vemos são pessoas conectadas… nós somos conectados e por consequência nossos filhos também serão. Precisamos sim, achar um equilíbrio, pois não tem como não apresentarmos a internet e jogos eletrônicos aos nossos filhos, uma vez que estamos conectados. Mas, podemos usar a internet ao nosso favor, mas sempre com moderação com hora para cada coisa. Aproveitar os app educativos.
A criança não pode deixar de brincar para estar conectado… precisamos fazê-lo reviver a infância que tivemos que era brincar na rua, descalços e ao ar livre, hoje não temos mais essa liberdade, mas podemos sim, deixar os eletrônicos e simplesmente aproveitar o tempo juntos.
Quanto menos conectados, mas juntos. E vamos seguindo tentando achar o equilíbrio.

 

 

Mara – Instablog @soumaedemeninos

Desde muito pequenas, já podemos ver crianças com uma relação muito íntima com tablets e smartphones.
Eles, parecem que já nascem sabendo manusear esses equipamentos.
Essa geração de hoje, tem um raciocínio muito mais rápido que as de antigamente.
Meus filhos, como a maioria das crianças, amam jogos de vídeo game, aplicativos dos mais variados e mais elaborados, sabem mexer muito mais que eu e meu marido. Fico impressionada com a inteligência que eles têm.
Ao mesmo tempo, me preocupo em controlar o uso de tudo o que a tecnologia oferece.
Não os proíbo de interagir e conhecer, coisas novas, e põe coisa nisso, cada dia algo diferente é lançado no mercado,que até mesmo nós adultos ficamos alucinados, quanto mais as crianças não é mesmo?!
Como lido com a tecnologia dentro do meu lar? Tento mostrar para meus filhos que existem brincadeiras tão interessantes e tão divertidas quanto os jogos que eles gostam. Fácil não é, é uma luta diária, porque eles ficam tão envolvidos que não querem
Saber de outra coisa.
Coloco horário certo para os games, tiro alguns momentos de brincadeiras , como quebra cabeça, futebol, brincadeiras no quintal. As vezes, tento resgatar com eles, algumas brincadeiras que eu amava quando era criança.
Acredito que nós pais precisamos mostrar esse equilíbrio para os filhos.
Usar a tecnologia com equilíbrio na infância das nossas crianças é um grande desafio, deve-se equilibrar a presença do mundo virtual na vida delas, para que o virtual não supere o real e elas deixem de viver o que realmente importa que são as experiências que a vida pode proporcionar. Equilíbrio é a chave, equilíbrio é o grande desafio e equilíbrio é a palavra chave para o desenvolvimento de nossas crianças.

Um comentário em “Geração Digital

  1. Oi Karina! Esse é um assunto que rende papos.
    Vemos cada vez mais que não tem como a criança não se envolver com a tecnologia de alguma forma e como você relatou, até certas escolas já fazem o uso do tablet.
    Maria está com 8 anos e não quisemos ainda lhe dar um celular de ultima geração ou um tablet (o que a maioria dos seus coleguinhas ja tem há anos).
    Não achamos saudável agora. Percebemos por exemplo que se ela tiver um tablet, mesmo impondo limites, irá nos pressionar para vez ou outra mexer nele durante a semana. E prefiro que ela tenha mais contato com os livros.
    Aqui, Maria gosta de jogar no computador. Tem um aplicativo instalado no meu celular, mas o uso é restrito apenas aos fins de semana. Uma hora no sabado e uma hora no domingo.
    É exagero esse limite? Não acho. Vemos que as crianças esquecem dos livros para mexer com tecnologia e pra elas, essa idade não é de pesquisa, é de jogos e diversão. Com certeza os livros trazem mais.

    Além do estímulo desde bebê, tivemos a sorte de Maria amar a leitura. Com a dosagem da tecnologia, ela não pensa desenfreadamente nela.

    No restaurante, quando ela não quer servir a comida e fazemos isso, ela pede o celular. É um momento que dou. Chegou o almoço é hora de desligar, mas se ela tem um livro ou revistinha nas mãos, fica tranquila.

    Não uso como argumento eu e papai mexermos no computador e ela ter que ter um também, pois é nosso trabalho e a maior parte do tempo é por causa dele que estamos conectados, então, cabe a gente explicar e a ela entender que é por isso..

    Ela pede um tablet, um video game, mas enquanto pudermos esticar vamos fazer isso. Será mês que vem, ano que vem? Não sei. Mas já fico feliz dela ter chegado nessa idade sem ter um ao seu alcance.

    Achei grande o tempo acima feito pela pesquisa para cada idade usar a tecnologia. Talvez não teria problema se as crianças aliassem esse tempo aos livros ou outras atividades como você falou.

    Não somos radicais, abrimos exceções quando percebemos que há condição pra isso e ficamos mais tranquilos para deixa-la mexer fora do dia marcado por não ter excesso. Ela não fica fora do mundo tecnologico. É esperta que só na internet e no computador. E assim vamos levando até decidirmos que ela está mais preparada pra ter um aparelho só dela! :)

    Parabéns pelo texto! É de grande importancia o debate. Beijos beijos

    Tê e Maria ♥

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